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Quantos letrados passararam aqui
Cantando e ouvindo letras...
Às vezes escutamos músicas o dia todo sem nos ligarmos nas letras, mas num dia desses ouvia Maria Rita cantando “Pagu”. Estava com tempo e coloquei a música para repetir uma três vezes, para prestar atenção. Percebi aí uma letra maravilhosamente escrachada e impagável, que usa a imagem da Musa dos Modernistas e representa bem o pensamento feminino ( ou pelo menos como ele deveria ser).
Bem, se ainda não sacaram o meu propósito, este é fruto de um insight doido que só quem me conhece de perto sabe como se dá:
Cacete! Acho que isso é legal! Se você tem alguma letra e queira comentar sobre, fique à vontade. Isso 'vai dar samba', ( ou rock, reggae, bossa...)
Para quem não conhece Pagu, olha ela aí:
Pagu
Composição: R. Lee E Z. Duncan
Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Ratátátá
Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem
Minha mãe é Maria-Ninguém
Não sou atriz-modelo-dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Ratátátá
Pra não boiar...
Patrícia Galvão, como é mais conhecida, nasceu em 9 de junho de 1910, em São João da Boa Vista. Era a terceira filha de Adécia e Thier Galvão França, trazendo nas veias o sangue dos imigrantes alemães e dos quatrocentões de São Paulo. Seus talentos começaram a aflorar cedo, praticamente aos doze anos, em 1922, época do grande marco cultural brasileiro, a Semana da Arte Moderna do movimento modernista, que protestava contra o domínio cultural e artístico estrangeiro, principalmente europeu que se alastrava no Brasil.
Admiradora do movimento, Patrícia começou a escrever, e com apenas 15 anos foi trabalhar no jornal "Brás Jornal", de São Paulo, com o pseudônimo de "Pathy". Mas foi seu amigo e poeta Raul Bopp, pensando que seu nome fosse Patrícia Goulart, acabou inventando o apelido Pagu, nome que marcou para sempre.
Desde que viu Pagu, Oswald não conseguiu tirá-la de seus pensamentos. Acabou apaixonado por essa jovem de 18 anos, corajosa, cheia de idéias vanguardistas e de uma beleza intrigante. Foi correspondido e começou a achá-la o "mais autêntico símbolo feminino da ousadia e inconformismo artístico e cultural de seu tempo".
No início de 1930, já separado de Tarsila, Oswald e Pagu se casam, numa cerimônia um pouco esquisita. O acontecimento foi simbólico, realizado num cemitério, o da Consolação, em São Paulo, na Rua 17, nº 17. Só mais tarde, eles se retrataram na igreja.
Já em 31, Pagu e seu marido se alistam na militância do Partido Comunista e nesta fase editam o jornal esquerdista "O homem do povo". No periódico, ela assinava a coluna feminista "A mulher do povo", com ilustrações, cartuns e até histórias em quadrinhos, revelando e ao mesmo tempo instruindo a mulher brasileira. Pagu queria através de seu trabalho, impulsionar a mulher à luta, ao trabalho, ao mundo... E pensando nele e nos mais necessitados que lançou o romance "Parque Industrial", obra que reflete sua solidariedade com o proletariado e ao comunismo como recurso salvador.
Ainda em 31, como militante política, Pagu participa do comício dos estivadores em Santos e acaba sendo presa. Quando liberada, o PC, o partido que ela tanto lutava e amava, a obriga declarar-se "uma agitadora individual, sensacionalista e inexperiente.
Fonte: http://www.internewwws.eti.br/materias/mt980310.shtml
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Cida
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ESCRITOR DA SEMANA
STÉPHANE MALLARMÉ

Cântico de São João
O sol que se exalta
Irreal, lá no alto
Em breve redescende
Incandescente
Eu sinto na medula
A serpente escura
Qual é sua pulsão?
— A união
E a cabeça vazia
Solitária vigia
No vôo triunfal
Da foice fatal
Como franca ruptura
Logo calca, fratura
O antigo desacordo
Com o corpo
Ébrio, mas de jejum
Prossegue em algum
Louco barco a vogar
Seu puro olhar
À fria, erma morada
Eterna não agrada
Que eu possa vencê-los
Todos oh gelos
Saúdo a infinita
Áurea flama da vida
Num batismo de luz
Torno-me luz
Stéphane Mallarmé, poeta simbolista francês (1842-1898). Poeta capital da modernidade, publicou um único livro de versos, Poesias, além da prosa poética Igitur, da peça em versos Herodíades e de um volume com textos em prosa, Divagações. Seus poemas estão entre as obras líricas mais densas da literatura francesa, destacando-se composições como Brisa Marinha, Brinde e A Tarde de Verão de um Faunoe, que inspirou a peça sinfônica de Débussy. O poema Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso, com sua disposição espacial das linhas na página, em diferentes fontes e corpos de letra, é considerada obra precursora da poesia concreta. Buscando incorporar o acaso à construção da obra de arte, idealizou um livro inacabado, interativo e aleatório, que se aproxima do funcionamento dos atuais jogos eletrônicos. Seu pensamento poético tem exercido influência em diversos artistas contemporâneos, como os compositores Pierre Boulez e John Cage.
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Cida
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09h20
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SEJA UM IDIOTA
A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz!
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche”.
Arnaldo Jabor
:: Postado por
««Mär©iö»»
às
08h08
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